quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Após tirar grau de investimento, S&P volta a rebaixar nota do Brasil

A Standard and Poor's (S&P) rebaixou novamente a nota de crédito soberano do Brasil nesta quarta-feira (17), mais de cinco meses após o país perder o selo de bom pagador pela agência. O rating, que é usado como referência para os investidores estrangeiros aplicarem recursos no Brasil, foi cortado em um nível, passando de BB+ para BB, com perspectiva negativa. 

A agência justificou sua decisão alegando que o perfil do crédito do Brasil se debilitou desde setembro do ano passado, enquanto os desafios políticos e econômicos seguem sendo "consideráveis".
Em setembro, o Brasil perdeu o grau de investimento pela S&P, quando a nota do país foi rebaixada de "BBB-" para "BB+", com perspectiva negativa.
O grau de investimento é um selo de qualidade que assegura aos investidores um menor risco de calotes. A S&P foi a primeira agência entre as maiores a tirar o grau de investimento do Brasil.
O Ministério da Fazenda informou estar convicto que o novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil é temporário e será revertido "tão logo os resultados das medidas em andamento comecem a produzir efeitos na economia, levando ao reequilíbrio fiscal e à recuperação do crescimento".
No corte desta quarta-feira, a S&P afirmou esperar "um processo de ajuste mais prolongado com uma correção mais lenta da política fiscal" e previu que o país fechará 2016 com uma contração de cerca de 3% e terminar 2015 com queda de 3,71%.
A agência mantém o otimismo para 2017, quando acredita que o país crescerá 1%. A S&P mencionou mais uma vez o conturbado ambiente político, que mantém a presidente Dilma Rousseff à beira de um julgamento no Congresso visando sua destituição, e que, de acordo com a agência, "complica a aprovação de medidas de ajuste fiscal para reativar a maltratada economia nacional".
"Apesar dos planos do governo para planejar uma reforma estrutural, como a da previdência, esperamos que o ambiente político após o processo de impeachment siga limitando a viabilidade das reformas, independentemente de quem seja presidente", expressou a agência.
A S&P lembrou ainda dos escândalos de corrupção, que envolvem dezenas de políticos, como um ingrediente mais que mantém o clima de incerteza no país. "Acreditamos que as atuais investigações de corrupção de indivíduos e empresas de alto nível, tanto no setor privado como no público, e em diferentes partidos políticos, aumentaram a incerteza política no curto prazo", opinou.
O país também perdeu o grau de investimento pela agência Fitch, que em dezembro cortou a nota do país pela segunda vez em dois meses: de BBB- para BB+, o primeiro degrau do que é considerado grau especulativo. A agência também colocou a nota do país em perspectiva negativa, indicando que ela pode voltar a ser rebaixada.
Moody's
O país segue com grau de investimento apenas pela Moody's, que já avisou que pode cortar a nota do país a qualquer momento.
Em dezembro, a agência colocou a nota de crédito soberano do Brasil em revisão para um possível rebaixamento. A atual nota do país é Baa3 – o último nível dentro do grau de investimento.
Efeito
Para o economista-chefe da agência de risco brasileira Austin Rating, Alex Agostini, esse novo corte não tem mais efeito prático para o Brasil. A única consequência, segundo ele, é que aumenta a distância do Brasil em relação ao selo de bom pagador, que foi perdido em setembro.
“O país fica um passo mais distante de recuperar o grau de investimento pela S&P. Na prática, pode levar mais tempo para o Brasil retomar a nota que alcançou no passado”, avalia o economista.
Na visão de Agostini, desde a perda do grau de investimento, a situação piorou no Brasil. "Todos os indicadores demonstram uma piora, além da falta de governabilidade tanto no ambiente político como econômico”, diz.
Brasil conquistou grau de investimento em 2008
O Brasil conquistou o grau de investimento pelas agências internacionais Fitch Ratings e Standard & Poor’s em 2008. Em 2009, conquistou a classificação pela Moody’s.
A partir da nota de risco que determinado país recebeu, os investidores podem avaliar se a possibilidade de ganhos (por exemplo, com juros maiores) compensa o risco de perder o capital investido com a instabilidade econômica local.
A nota de crédito do país acaba refletindo também na nota das empresas. Ou seja, uma piora no ranting soberano do Brasil pode resultar em rebaixamentos de empresas e, consequentemente, numa maior dificuldade de financimento ou, ainda, crédito mais caro.